Tenho medo de escrever. É tão perigoso. (Clarice, a Lispector) Qualquer descuido e as palavras que me espreitam, sombras numa viela soturna, denunciarão todas as minhas verdades. E toda a performance para mantê-las mentiras inacreditáveis estará perdida.
O tempo me entende
e me estende alguém aroma de manhã azul,
e me estende alguém aroma de manhã azul,
alguém nuvem carmim, muito em tudo
(é assim que te suspeito, quando o mundo amanhece, é assim que te desejo),
mar e som a me comover, a se insinuar motivo enluarado,
a se mover imprevisto ensolarado, presença paisagem em mim.
Teu nome jamais será mágoa. Tua imagem jamais será abismo.
(para alguém que não veio em 94)
Entre a palavra e o pensamento existe o meu ser. (Lispector, a Clarice) Purpúreo. Atemporal. Insuspeitadamente intenso e denso. Um desejo aflito de ser um desenho animado, indestrutível. Solitária mulher-gato com olhos de tempestade.

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