agosto 27, 2010

Ociosidade


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. (Clarice, a Lispector) Qualquer descuido e as palavras que me espreitam, sombras numa viela soturna, denunciarão todas as minhas verdades. E toda a performance para mantê-las mentiras inacreditáveis estará perdida.

O tempo me entende
e me estende alguém aroma de manhã azul, 
alguém nuvem carmim, muito em tudo 
(é assim que te suspeito, quando o mundo amanhece, é assim que te desejo), 
mar e som a me comover, a se insinuar motivo enluarado,  
a se mover imprevisto ensolarado, presença paisagem em mim. 
Teu nome jamais será mágoa. Tua imagem jamais será abismo. 
(para alguém que não veio em 94) 

Entre a palavra e o pensamento existe o meu ser. (Lispector, a Clarice) Purpúreo. Atemporal. Insuspeitadamente intenso e denso.   Um desejo aflito de ser um desenho animado, indestrutível. Solitária mulher-gato com olhos de tempestade.

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